Que a vida oscila, isto não é novidade, frequentemente temos de lidar com incertezas e instabilidades. Entretanto, o cenário atual está acentuando inseguranças e nos colocando de frente com nossa vulnerabilidade. Estamos nos confrontando com a ideia de que por mais que desejemos, não temos o controle sobre tudo. Isso não significa que aquilo que podemos controlar, não seja importante. 

Considere que você não pode controlar o que acontece no mundo, mas pode controlar qual será a sua reação, e isso pode fazer toda a diferença no seu estado de humor. A sua “resposta de enfrentamento”, poderá tornar as coisas mais fáceis ou mais difíceis.

Justamente por isso, é muito importante que neste momento olhemos para dentro, que fiquemos atentos a nossos pensamentos e emoções, pois nosso comportamento estará diretamente relacionado com isso.

O estado em que me encontro: mais ansioso, triste, feliz… influencia meus pensamentos, podendo inclusive gerar distorções na forma de interpretar a realidade. Quando estamos mais ansiosos por exemplo, temos uma tendência a enxergar as coisas piores do que realmente são (é o pensamento catastrófico).

Naturalmente nossas emoções respondem aos estímulos externos, quer dizer, tudo bem me sentir triste ou preocupado neste momento, afinal estamos de fato atravessando um período difícil que interfere e impacta o funcionamento de nossas vidas. 

Minha dica é: observe carinhosamente suas emoções e avalie a proporção

Veja a diferença neste exemplo:

– Me sinto triste pois estou distante das pessoas que amo e tive de restringir minhas atividades, mas apesar disso consigo expressar meus sentimentos, fazer minhas atividades e ter momentos de distração e prazer. Ok, isto parece uma tristeza situacional, bem normal considerando o contexto.

– Agora, me sinto triste e sem esperança, não consigo sentir prazer com nada e não tenho energia para realizar minhas atividades, mesmo as mais básicas (tomar um banho, preparar minha comida, arrumar minha casa, contatar amigos e familiares…).  Atenção! Neste caso é possível que tenha de buscar uma ajuda profissional. 

O ponto crucial é observar se sua tristeza, lhe gera um prejuízo importante, afetando significativamente seus relacionamentos, seu desempenho e bem-estar

Outro aspecto: sentir medo. Sentir medo pode ser bom, pois esta emoção nos “protege” em certa medida. 

Mas, avalie a proporção.

Seu medo é tanto que lhe deixa paralisado e em estado de pânico? Bem, então ele gera prejuízos no seu funcionamento, sendo desadaptativo, possivelmente relacionado com um transtorno que carece de auxílio profissional.

Chamamos de “automonitoramento” a atividade de observar pensamentos e identificar emoções. Treine esta capacidade e certamente ficarás mais consciente sobre seu estado e a necessidade de buscar apoio.

Precisando de ajuda, saiba que existem recursos. 

Contate algum amigo ou familiar de sua confiança. 

Busque um profissional de saúde mental.

Neste momento psicólogos estão realizando atendimentos à distância (online), para viabilizar o acesso.